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quarta-feira, 6 de junho de 2012

BIOGRAFIA DE JOSÉ CARLOS LIBANEO


Jose Carlos Libaneo nasceu  no ano de 1945 em Angatuba no Estado de São Paulo.Desde as séries iniciais estudou  no Seminário Diocesano de Sorocaba (SP).
No ano de 1966 formou-se em Filosofia  na PUC de São Paulo, depois  recebeu o título de mestre  em Filosofia da Educação (1984) e História da Educação  (1990).
1967-Doutor por seis anos do Ginásio Estadual Pluricurricular Experimental;
1973- Fundou o centro de treinamento  e Formação de professores;
1975- Lecionou na Universidade  Federal de Goias na faculdade de educação;
1976-1980- Foi afastado da UFG por ter direitos politicos cassados pelo regime militar;
1980- Recebeu beneficio da Anistia e retornou como prpfessor na UFG;
1996- Aposentou-se  e desde 1997  leciona na Universidade Católica  de Goiás e é vice –coordenador  do mestrado em educação. 
Das obras publicadas :
Didática
Adeus professor, Adeus professora?-Novas exigencias educacionais  e profissao docente.
Pedagogia e Pedagogos ,para que?
Organização e gestão da escola.
Acelaração Escolar –Estudos sbre  educaçao de adolescentes e adultos(1976).
Democratizaçao da Escola Publica-A pedagogia critico-social dos conteudos.

Obras de José Carlos Libaneo "Didática"



O livro Didática de José Carlos Libânio tem como objetivo mostrar que:”A didática é o principal ramo de estudos da pedagogia,ela investiga os fundamentos,condições e modas da realização da instrução e do ensino.A mesma cabe converter objetivos sócios políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função destes,estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem,tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos”.Para Libaneo pg.25 a didática é de fundamental importância para a formação docente em suas praticas e metodologia de ensino,para o autor existem duas dimensões que fazem parte do processo de formação do docente: A teoria cientifica formada de conhecimento de filosofia e sociologia e  o técnico - pratica que inclui métodos, investigações e didática.A didática esta ligada diretamente a outros campos do conhecimento e busca por meio da reflexão critica dos conteúdos, definir o ato educativo e as transformações que envolvem a realidade social.
Segundo Libanio  a didática engloba conhecimento de varias disciplinas dentre elas, psicologia da educação,sociologia da educação e filosofia entre outras áreas , afim de explicar o ato e a forma do aprender.È importante relatar que a ciência que investiga a teoria e a pratica da educação nos seus vínculos com a prática social e global é a pedagogia,sendo a didática uma disciplina que estuda os objetivos,os conteúdos e os métodos de ensino que são designados a cada instituição.A didática em sua historia estão ligados ao surgimento do ensino,desde a antiguidade clássica já temos registro das diversas formas pedagógicas de ensino em escolas e mosteiros,porém a didática aparece em obra em meados do século XVII com João  Amos Comenio  ao escrever a primeira obra sobre a didática “A didática magna”a partir daí muitos outros estudiosos passaram a abordar sobre a didática em seus livros.
  Nos últimos anos a didática vem sendo alvo de muita pesquisa sobre a sua historia, suas lutas, com isso as tendências pedagógicas foram classificadas em duas correntes a de cunho liberal e as de cunho progressivistas. Há muitas diferenças entre ambas: A tradicional vê a didática como uma disciplina normativa com regras e procedimentos que não podem ser quebrados, o professor é apenas um transmissor de conteúdos, sendo visto como o centro e o aluno como um sujeito passivo, que não tem a liberdade de expressão. Já o de cunho progressivista o aluno é o sujeito deste processo,o professor deve oferecer condições favoráveis para estimular o interesse dos alunos.Através de suas estratégias, dinâmicas e sua didática em sala de aula,é que era determinado  o desenvolvimento de cada aluno.
      O magistério se caracteriza nas atividades de ensino das matérias escolares criando uma relação recíproca entre a atividade do professor (ensino) e a atividade de estudo dos alunos (aprendizagem) criar esta unidade entre ensino e aprendizagem é o papel fundamental dos processos de ensino na escola, pois as relações entre alunos, professores e matérias são dinâmicas.A aprendizagem esta presente em qualquer atividade mana seja casual ou especifica,podemos aprender de diversas formas,tanto em atividades casuais,quanto na escola.Esta claro que o acumulo de informações advindas de cursos,seminários etc. não tem sido eficazes em levar o professor a refletir e conseqüentemente renovar sua pratica,este esquema tradicional de formação do magistério encara o professor como alguém que tem pouco a dar,mais que por outro lado tem muito o que aprender.A suposição é que a interferência em sua formação previa garantirá por si só a atuação afetiva em sala de aula e só assim garantira ao aluno uma aprendizagem mais significativa.È muito importante que o professor saiba planejar suas aulas para que as mesmas tornem-se mais dinâmicas e divertidas.
Segundo( Libanio p.222) “A ação de planejar,portanto se reduz ao simples preenchimento de formulários para controle administrativo ;é antes, a atividade consciente  de previsão das ações docente,fundamentadas em opções político pedagógicos,e tendo como referencia permanente as situações didáticas concretas(isto é a problemática social econômica,política e cultural que envolve a escola,os professores os alunos os pais , a comunidade,que interagem no processo de ensino.”
A avaliação por ocorrer também durante o processo de ensino e aprendizagem possibilita ao professor o conhecimento de como o aluno aprende; infelizmente ainda hoje predomina nas escolas a cultura dos exames ou testes para perceber e determinar o grau de alcance de cada educando, é muito importante que os professores sejam criteriosos nesse processo de avaliação, pois os alunos devem ser avaliados do inicio ao final em todo processo pedagógico, levando em conta o desenvolvimento de cada aluno.  
Este trabalho é resultado de um estudo minucioso que foi muito interessante para nós, onde pudemos ter um melhor conhecimento sobre José Carlos Libâneo e seu livro “Didática”, que através do mesmo, ele nos mostra que para o estudo da pedagogia a didática é extremamente importante, pois através dela podemos investigar os fundamentos para se tiver uma realização da instrução do ensino. Contudo temos percebido que a didática vem sendo muito pesquisado ultimamente e através de suas estratégias o desenvolvimento de cada aluno será determinado.  A partir daí o professor poderá avaliar o mesmo, uma vez que o processo de ensino facilita a ele o conhecimento do aprendizado do seu aluno.
Baseando em dados da realidade o livro refere a aprendizagem escolar como uma atividade que deve ser bem planejada e não de forma espontânea . Com isso o autor refere-se ao ensino como fundamental no desenvolvimento de cada individuo.





REFERÊNCIA:
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? : novas exigências educativas e profissão docente / José Carlos Libâneo. – 6. ed.- São Paulo : Cortez, 2002.
TEMA CENTRAL:
O tema central do texto circunda em torno de argumentos a favor do papel que a escola impõe na sociedade, sendo que essa se encontra cada vez mais informatizada. Nesse ponto destaca se a importância da função do professor, pondo em foco suas habilidades em relação os meios tecnológicos e científicos que facilitará para o desenvolvimento intelectual de seus alunos, criando assim profissionais mais eficientes para o mercado de trabalho.
OBJETIVO:
Metodologicamente, o material em estudo reflete como objetivo destacar as mudanças ocorridas pedagogicamente em relação as inovações tecnológicas em sala de aula, e como essas influenciam na aprendizagem dos alunos capacitando-os em uma melhor qualificação profissional.
IDÉIAS QUE O AUTOR DEFENDE:
O autor apresenta idéias para uma melhor qualidade de oferta dos serviços educacionais, apresentando um conjunto de objetivos para esse melhoramento. Entre essas idéias destacam as seguintes: Preparação para o mundo de trabalho, onde o aluno se interage com os meios tecnológicos voltados para o mercado, tratando se de uma escola unitária; formação para a cidadania crítica, visando educar indivíduos críticos e aptos a luta pela justiça social.
A idéia de escola também é repensada segundo o autor, para isso é necessário que se crie o pensamento de que a educação não só acontece na sala de aula, a educação acontece em todos lugares.
A atuação dos professores também é repensada, criando assim novas atitudes para o corpo docente, entres essas estão: o compromisso de assumir a mediação do aluno com a disciplina e seus procedimentos de aprendizagem; buscar o esforço dos educandos no empenho críticos dos conteúdos; promover a comunicação e a interação no trabalho da sala de aula; reconhecimento de novas metodologias para a aplicação de conteúdos, englobando assim as novas tecnologias.
CITAÇÕES QUE MERECEM DESTAQUE:
[...] Muitos professores temem perder o emprego, outros se apavoram quando são pressionados a lidar com equipamentos eletrônicos. (LIBÂNEO,2002, p.14).
[...] Há uma tendência de intelectualização do processo de produção implicando mais conhecimento, uso da informática e de outros meios de comunicação, habilidades cognitivas e comunicativas, flexibilidade de raciocínio etc. (LIBÂNEO, 2002, p.15)
[...] as mudanças são consideráveis e afetam não apenas a sociedade de um modo geral, como a nossa vida cotidiana. (LIBÂNEO, 2002, p.17).
[...] O novo professor precisaria, no mínimo, de adquirir sólida cultura geral, capacidade de aprender a aprender, competência para saber agir na sala de aula, habilidades comunicativas, domínio da linguagem informacional e dos meios de informação, habilidade de articular as aulas com mídias e multimídias. (LIBÂNEO, 2002, p.28).
Uma mudança de atitude dos professores diante da rigidez da organização disciplinar implica compreender a pratica da interdisciplinaridade em três sentidos: como atitude, como forma de organização administrativa e pedagógica da escola, como pratica curricular. (LIBÂNEO, 2002, p.32).
A escola continuará durante muito tempo dependendo da sala de aula, do quadro negro, dos cadernos. Mas as mudanças tecnológicas terão um impacto cada vez maior na educação escolar e na vida cotidiana. (LIBÂNEO, 2002, p. 40).
O professor precisa juntar a cultura geral, a especialização disciplinar e a busca de acontecimentos conexos com sua matéria, porque formar o cidadão hoje é, também, ajudá-lo a se capacitar para lidar praticamente com noções e problemas surgidos nas mais variadas situações, tanto do trabalho quanto sociais, culturais, éticas. (LIBÂNEO, 2002, p.43).
APRECIAÇÃO DO LEITOR SOBRE O TEXTO:
O leitor enquanto sujeito critico tem em suas mãos ao ler tal construto teórico uma gama de informações que representam a funcionalidade do papel que a escola e o professor exerce diante a sociedade, enfrentando os desafios da modernidade e inovação tecnológica. É retratado no texto o profissionalismo exigente cada vez mais ao ingresso no mercado de trabalho ao qual encontra muito mais informatizado.
As idéias apresentadas pelo autor são de grande relevância para que se possa construir uma melhor qualidade educacional, considerando que há um grande interesse de resgatar a profissionalidade do educador para fortalecer a formação de indivíduos.
Vê se então que o autor teve a pretensão de contribuir para a questão moral e competência do professor.





quinta-feira, 31 de maio de 2012

      
BIOGRAFIA DE MOACIR GADOTTI

Moacir Gadotti  nasceu em Rodeio, Santa Catarina, em 1 de outubro de 1941, é um dos mais respeitados educadores brasileiros. É licenciado em Pedagogia (1967) e em Filosofia (1971). Fez Mestrado em Filosofia da Educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 1973), Doutorado em Ciências da Educação na Universidade de Genebra (Suíça, 1977) e Livre Docência na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 1986). Em 1991 prestou concurso para Professor Titular na Universidade de São Paulo. Foi professor de História e Filosofia da Educação em cursos de graduação e pós-graduação em Educação e Filosofia de diversas instituições, entre elas a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Desde 1988 é professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, atualmente está aposentado por esta Universidade, após 46 anos de magistério, mas continua dando aula e orientação na pós-graduação.
Foi assessor técnico da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (1983-1984) e Chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo (1989-1990), na gestão de Paulo Freire. Atualmente é diretor do Instituto Paulo Freire que ele ajudou a fundar em 1992, esse Instituto desenvolve inúmeros projetos de educação popular. Trabalhou na redação da Carta da Terra – tratado internacional que contém princípios éticos para a vida no século 21, e defende o uso dessa Carta nas escolas e universidades, para Moacir a Carta da Terra Internacional é um documento é uma ferramenta essencial para a transformação do mundo em um lugar justo e pacífico.
 Autor de muitos livros, inclusive em parceria com Paulo Freire, com quem estudou nos anos 70, na Suíça.
Possui um grande número de publicações em que desenvolve uma proposta educacional cujos eixos são a formação crítica do educador e a construção da Escola Cidadã, numa perspectiva dialética integradora da educação e orientada pelo paradigma da planetariedade.
OBRAS DE MOACIR GADOTTI
*A educação contra a educação (1981)
* Pedagogia: diálogo e conflito. (Cortez, 1985)
* Educação e compromisso. (Papirus, 1985)
*Pensamento pedagógico brasileiro (1987)
*Convite à leitura de Paulo Freire (1988)
* Educação e poder. (Cortez, 1988)
* Marx: Transformar o Mundo. (FTD, 1989)
*Escola cidadã (1992)
* Histórias das Idéias Pedagógicas (Ática, 1993)
* Pedagogia da Práxis (Cortez, 1995)
* Paulo Freire: Uma bibliografia (Cortez, 1996)
* Perspectivas Atuais da Educação (Artmed, 2000)
* Pedagogia da Terra (Petrópolis, 2000)
*Um legado de esperança (2001)
* Os Mestres de Rousseau (Cortez, 2004)
* Educar para um Outro Mundo Possível (Publisher Brasil, 2007).
CONCEPÇÃO DA ESCOLA, ENSINO E APRENDIZAGEM
SEGUNDO MOACIR GADOTTI

Reconhecido como maior especialista em educação que o Brasil já teve, o pedagogo Moacir Gadotti conhece de perto a pedagogia do oprimido, segundo a qual o sistema de ensino impõe os valores das classes dominantes aos menos favorecidos. Hoje é um ativista da educação para a sustentabilidade e afirma com ênfase que o planeta é um grande oprimido. Com o instituto Paulo Freire Gadotti participou da conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, foi quando surgiu a proposta de um tratado de ética que norteasse a criação de um mundo sustentável. Faltava uma declaração que incluísse todos os seres do planeta os humanos e os não humanos, e indicasse a melhor forma de relacionamento entre eles, foi lançado então A Carta da Terra, que solucionou essa questão. Gadotti ajudou a coordenar os textos relativos à educação durante o processo de redação da carta e hoje é um dos conselheiros da organização Carta da Terra Internacional. A sustentabilidade foi eleita o conceito chave na renovação da educação do século XXI pela UNESCO e a Carta da Terra é reconhecida como o documento orientador dessa “Nova Educação”. È preciso deixar de lado a pedagogia da era industrial, que tem uma visão produtivista e exploratória do planeta. A Carta da Terra é um documento fundamental nesse processo de mudança de paradigma: a terra tem que ser vista não apenas como um ser astronômico, mas, como um ser vivo. Não se muda o mundo sem uma nova teoria, sem uma nova lógica. Para mudar é necessário criar outra teoria, outra lógica, para além da lógica do capital e do seu mercado. Uma nova lógica de poder está sendo apontada pelos movimentos sociais através de suas ações globais pela justiça e paz, pela ética na política, pelo consumo ético e solidário que não destrói o planeta. Nesses, sentido, educar para um outro mundo possível é educar para superar a lógica desumanizadora do capital que tem no individualismo e no lucro seus fundamentos, é educar para transformar radicalmente o modelo  econômico e político atual, como sustenta István Mészáros em seu belo livro A Educação  para  Além do Capital. Ao mesmo tempo, tudo isso tem a ver essencialmente com o sentido profundo que construímos para nossa vida. A responsabilidade não é apenas social. É também individual, pessoal. Para Gadotti,  educar para viver harmoniosamente no Cosmos é educar para outro mundo possível. Só assim poderemos entender hoje os problemas do aquecimento global, da desertificação, do desflorestamento, da água, do lixo e dos problemas que atingem humanos e não humanos. Os paradigmas clássicos, arrogantemente antropocêntricos e industrialistas, não têm suficiente abrangência para explicar essa realidade cósmica. Os paradigmas clássicos estão  levando o planeta ao esgotamento de seus recursos naturais.    
A crise atual é uma crise de paradigmas civilizatórios. Educar para outros mundos possíveis supõe um novo paradigma, um paradigma holístico.
Só o povo organizado pode fazer história. Os movimentos sociais contemporâneos não querem ficar na platéia, na arquibancada. A sociedade civil não pode assistir, tem que ser protagonista deste outro mundo possível, fazendo cobranças para que a esperança se torne realidade, porque o neoliberalismo ainda está vivo, muito vivo, ainda não foi derrotado. Segundo Gadotti a educação básica como o lugar de produção da liberdade, da criação do destino de cada um, de cada uma. Por isso, não cuidar da escola básica é não cuidar da nação, do destino da sociedade, da libertação de cada um. Para muitos, a escola básica é o único espaço público e democrático de que dispõem. Apesar do avanço na matrícula de crianças e jovens de 7 a 14 anos no ensino fundamental no Brasil, ainda existe o problema grave do abandono e da defasagem série/idade. As crianças pobres podem estar matriculadas na escola, mas sua cultura aí não está. Não basta incluir crianças na escola; é preciso incluí-las com uma nova qualidade.
Para ele o professor caminha lado a lado com a transformação da sociedade, não é um ente abstrato, ausente, mas uma presença atuante, participante e "dirigente", que organiza, concretiza a ideologia da classe que representa esperança.Pela educação, queremos mudar o mundo, a começar pela sala de aula, pois as grandes transformações não se dão  apenas como resultantes dos grandes gestos, mas de iniciativas cotidianas, simples e persistentes. Por tanto, não há excludência entre o projeto pessoal e o coletivo: ambos se completam dialeticamente.    É  importante  pensarmos que para garantirmos o respeito às diferenças, à liberdade de ser e de pensar, tanto de alunos, educadores quanto  do papel da  família nos processos de participação nas escolas a democracia só se garante e se exercita no confronto entre as diferenças políticas, ideológicas, sociais, psicológicas, entre outras.Esse confronto, porém, para ser democrático precisam fundamentar-se na ampla possibilidade de informação, de reflexão, de conhecimento, de crítica, de parceria entre instituições governamentais, sindicatos voltados para educação, escola-família e no equilíbrio de forças, que garantam a discussão e a viabilidade das propostas voltadas para o estabelecimento do paradigma holístico do ato de educar. Segundo Gadotti o Brasil não conseguiu até hoje erradicar o analfabetismo,
primeiro porque existe um atraso secular de décadas, um atraso crônico na educação brasileira, que vem desde os jesuítas, a colônia, o império, a república. Nós despertamos para a educação no século XX, na década de 30, já que na década de 20 tivemos as primeiras formações de educadores. Então, esse atraso é crônico, o esforço é muito maior do que o esforço de dois governos. O analfabetismo é a negação de um direito. O analfabetismo tem a ver com um conjunto do bem viver das pessoas. Imagina agora: chegamos a ter mais de 300 classes de catadores de produtos recicláveis de lixo. Imagina que a pessoa está na rua das 5 horas da manhã até as 7 horas da noite, catando lixo, e às 7 horas da noite vai para uma sala de aula. É muito difícil essa pessoa ter condições, depois de um dia passando fome, de se alfabetizar. Então, as condições sociais são determinantes. Condições sociais de moradia, de trabalho, de emprego, de saúde, fora a educação. A educação não está desligada, não é um problema setorial, é um problema estrutural com os outros condicionantes. Então, a qualidade da educação tem a ver com esses outros fatores, está ligada. Não estou dizendo que precisa primeiro resolver o problema da moradia, do emprego, do transporte, para depois resolver a educação. Isso vai ser junto. O nosso analfabetismo é muito maior do que de outros países da América Latina. O do MERCOSUL, por exemplo, é 2,5%, 3%, o nosso é 9,8%, são 15 milhões de pessoas. Vou dar dois pontos onde o atraso continua, em que nós paramos, simplesmente estacionamos: educação de adultos, nós praticamente estacionamos nos analfabetos.
Gadotti apresenta a educação como ponto fulcral de seu texto, pois que não se refere a educação que estamos vivenciando. Está falando de outra coisa muito mais sublime que ao tratar por educação demonstra: humildade e depois mau gosto. Humildade: pois equiparar as idéias que colocou com educação com certeza desvaloriza muito o seu esforço. Mau gosto: pois o pejo que carrega a palavra Educação dentro de uma visão deformadora dos seres humanos (Freud), que procura moldar dentro de uma lógica mercadológica de produção e consumo (Granmsi), instrumentalizada de uma maquinaria que não visa à aproximação, mas o assemelhamento (normalização), só nisso já faz com que seu fedor seja insuportável. A escola deve deixar de ser selecionadora e precisa ser gestora do conhecimento. Deixar de ser lecionadora. Uma escola que puramente leciona deixa de ter sentido numa era da informação. Não é mais importante acumular informação, mas saber pensar, saber organizar o trabalho, saber gerenciar o conhecimento. Há uma nova escola dentro da velha escola. E esse parto é muito doloroso, porque ensinamos como aprendemos na velha escola. A seriação exige um tipo de avaliação, que privilegia apenas a disciplina. A escola nova não avalia quanto um aluno sabe Português, Matemática, por exemplo, mas avaliam primeiro o sujeito, seu ritmo, dificuldades e problemas. A avaliação deve ser o ato de acolhimento do aluno e depois deve avaliar a relação dele com o conhecimento. A repetência existe em função das séries. Se não tem série, você tem avanços progressivos dentro de um conteúdo, de um contexto curricular. Em vez de só avaliar Matemática, leva-se em conta o quanto ele participa, o quanto ele sabe organizar seu trabalho. Saber organizar, participar, ser disciplinado, não só suas atitudes e conteúdos disciplinares são fatores decisivos na formação de um indivíduo. Todos somos vítimas, mas todos são determinantes de uma situação. Não é a palavra adequada falar em vítimas e culpados. É que nós não sabemos agir sob nossas determinações culturais, econômicas, sociais. Por isso Paulo Freire foi genial. Ele dizia que a educação é acima de tudo um ato de libertação. É uma prática de liberdade.  Não há o tempo determinado para a aprendizagem. Vale tudo para aprender o tempo todo. Quanto mais amadurecido se está, mais condições se têm. A criança traz muito novidade. Veja como uma criança chega de um final de semana agitada, cheia de coisas para falar. Isso é um saber e esse saber deve ser respeitado e trabalhado. Esse universo da criança é muito pouco respeitado. Os módulos de progressão respeitam o ritmo dos alunos. Um estudante pode melhorar seu conhecimento em Matemática se tiver mais tempo além daquele determinado no calendário escolar. Não é justo fazê-lo retornar ao ponto de partida. A escola precisa ser reencantada, encontrar motivos para que o aluno vá para os bancos escolares com satisfação, alegria. Existem escolas esperançosas, com gente mais animada, mas existe um mal-estar geral na maioria delas. Não acredito que isso seja trágico. Essa insatisfação deve ser aproveitada para se dar um salto. Se o mal-estar for trabalhado, ele permite um avanço. Se for aceito como uma fatalidade, ele torna a escola um peso morto na história, que arrasta as pessoas e as impede as pessoas de sonhar, pensar e criar. Não se deve perder o censo crítico e a capacidade de sonhar. Um professor que não sonha que não pensa que não tem um projeto de vida é incompetente. Faz parte da competência dele a utopia, o sonho, o compromisso, a vontade de mudar as coisas. Porque ele educa um mundo que está em construção, portanto o sonho faz parte do projeto educativo. Infelizmente, há um desencantamento, mas existem pessoas com muita vontade e são essas pessoas que fazem que a escola pública tenha um sentido. Os alunos pobres, da escola pública sofrem de um mal chamado estigma. A passagem do ambiente da casa para a escola do aluno de classe média é natural porque ele tem em casa lápis, jornal, revista e discussões. A escola acaba sendo um prolongamento de sua casa. Nas classes populares, essa passagem é diferente. Os pais são analfabetos, não discutem e não dispõem de materiais. A escola é um mundo diferente, então ele precisa de mais esforço. A criança quer aprender por mais hostil que seja seu ambiente familiar. A escola deve seduzi-lo para o conhecimento. O professor precisa ter sensibilidade e menos preconceito. Ninguém chega pronto na escola, portanto ele tem direito à educação independente de qualquer previsão que se tenha dele. Professor não é místico. O professor idealiza uma classe de alunos da classe média. Ele fica desencantado porque não é esse aluno que ele vai receber na escola pública. A realidade é outra, é dura. Ele precisa se compenetrar, saber que esse aluno precisa ser encantado, que antes de ensinar Português é preciso seduzi-lo para o Português. É preciso mais diálogo, envolvimento e aceitação.  O primeiro ferramental para esse professor é o diálogo. Vale lembrar Paulo Freire, que foi genial ao colocar quatro passos para esse caminho: Primeiro, ler o mundo. Despertar o aluno pela curiosidade. Segundo, compartilhar o mundo. Isso exige solidariedade com o outro. Perguntar sempre ao próximo: que leitura você faz desse acontecimento, dessa realidade? Terceiro, construir o conhecimento coletivamente. Quarto, dialogar, sempre. Precisamos criar novos vínculos, novas relações sociais e humanas para que se consiga o sucesso. Não podemos mais deixar que nossos alunos fracassem, mas ensiná-los a superar os próprios limites. Aprendizagem é um processo em anel retroativo-recursivo que transgride a lógica clássica, em direção a um nível cada vez mais integrado ao todo. Esse conceito de aprendizagem não visa a acumulação de conhecimentos pelos alunos, mas pretende que estes dialoguem com os conhecimentos, reestruturando-se e retendo o que é significativo. Portanto, educar é fazer com que os jovens dialoguem com o conhecimento. Cuidar da autorreferencialidade através da multirreferencialidade. Gadotti traça uma rápida e condensada trajetória da educação e apresenta: “A educação tradicional e a nova têm em comum a concepção da educação como processo de desenvolvimento individual.” E ainda mais: “Todavia, o traço mais original da educação desse século é o deslocamento de enfoque do individual para o social, para o político e para o ideológico”. Destaca: “não há idade para se educar, de que a educação se estende pela vida e que ela não é neutra”.

domingo, 27 de maio de 2012

Obras Vigotski

Obras Vigotski
Construção do Pensamento e da Linguagem. SP, Martins Fontes, 2011.
Desenvolvimento Psicológico na Infância. SP, Martins, 1999.
Estudos sobre a História do Comportamento. Porto Alegre, ARTMED, 1997.
Formação Social da Mente. SP, Martins Fontes, 1999.
Imaginação e Criação na Infância. SP, ATICA, 2009.
Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. (Vários autores). SP, Ícone/EDUSP, 1988
Pensamento e Linguagem. SP, Martins Editora, 2008.
Pensamento e Linguagem. SP, Martins Fontes, 1987. (tradução da versão resumida norte-americana)
Psicologia da Arte. SP, Martins Fontes, 2001
Psicologia Pedagógica. Porto Alegre, ARTMED, 2003.
Psicologia Pedagógica. SP, WMF Martins Fontes, 2004.
Teoria e Método em Psicologia. SP, Martins Fontes, 2004.
Inglês
Ape, Primitive Man, and Child: Essays in the History of Behaviour. A. R. Luria and L. S. Vigotski. 1930
Consciousness as a problem in the Psychology of Behavior, essay, 1925
Educational Psychology, 1926
Historical meaning of the crisis in Psychology, 1927
Mind in Society: The Development of Higher Psychological Processes, 1978
Paedology of the Adolescent, 1931
Play and its role in the Mental development of the Child, essay 1933
The Fundamental Problems of Defectology, article 1929
The Problem of the Cultural Development of the Child, essay 1929
The Socialist alteration of Man, 1930
Thinking and Speech, 1934
Thought and Language, 1986
Tool and symbol in child development, 1934.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BIOGRAFIA DE VIGOTSKI

BIOGRAFIA DE VIGOTSKI


           
Filho de uma próspera família judia, formou-se em Direito pela Universidade de       Moscovo em 1918. Durante o seu período acadêmico estudou simultaneamente Literatura e História na Universidade Popular de Shanyavskii.
No ano de seu bacharelado em Direito (1918), retornou para Gomel, onde havia anteriormente lecionado. Seis anos mais tarde,em 1924, aos 28 anos de idade, desposou Rosa Smekhova, com quem teve duas filhas. Ainda em Gomel, ministrou um curso de Psicologia no "Instituto de Treinamento de Professores" onde implantou um laboratório de Psicologia. No mesmo período fundou uma editora e publicou uma revista literária.
Apesar de sua formação em Direito, destacou-se à época por suas críticas literárias e análises do significado histórico e psicológico das obras de Arte, trabalhos que posteriormente foram incorporados no livro "Psicologia da Arte", escrito entre 1924 e 1926, incluindo naturalmente a tese de doutorado sobre Psicologia da Arte, que defendeu em 1925. O seu interesse pela Psicologia levou-o a uma leitura crítica de toda produção teórica de sua época, nomeadamente as teorias da "Gestalt", da Psicanálise e o "Behaviorismo", além das ideias do educador suíço Jean Piaget. As obras desses autores são citadas e comentadas em seus diversos trabalhos, tendo escrito prefácios para algumas das suas traduções ao idioma russo.
Tendo vivido a Revolução Russa de 1917, bem como estudado as obras de Karl Marx e Friedrich Engels, a partir das proposições teóricas do materialismo histórico propôs a reorganização da Psicologia, antevendo a tendência de unificação das Ciências Humanas no que denominou como "psicologia cultural-histórica".
Entre os seus trabalhos de campo incluem-se visitas às populações camponesas isoladas de seu país, fazendo testes neuropsicológicos entre as aldeias nômades do Uzbequistão e do Quirguistão (Ásia Central), antes e depois do realinhamento cultural e sócio-econômico da revolução socialista, que incluía alfabetização, cursos rápidos de novas tecnologias, organização de brigadas, fazendas coletivas e outros, como descreve Alexander Luria em seu ensaio sobre diferenças culturais e o pensamento (Vigotskii et al., 1988).
A experiência vivida na formação de professores levou-o ao estudo dos distúrbios de aprendizagem e de linguagem, das diversas formas de deficiências congênitas e adquiridas, a exemplo da afasia. Complementando a sua formação para estudo da etiologia de tais distúrbios, graduou-se em Medicina retomando o curso iniciado e substituído por Direito em Moscou e retomado e concluído em Kharkov. O seu interesse em Medicina estava associado à manutenção do grupo de pesquisa ("troika") de neuropsicologia com Alexander Luria e Alexei Nikolaievich Leontiev. As suas principais contribuições à defectologia estão reunidas no livro "Psicologia Pedagógica".
Graças a uma conferência proferida no "II Congresso de Psicologia" em Lenigrado, foi convidado a trabalhar no Instituto de Psicologia de Moscou. O seu interesse simultâneo pelas funções mentais superiores, cultura, linguagem e processos orgânicos cerebrais pesquisados por neurofisiologistas russos com quem conviveu, especialmente Luria e Leotiev, em diversas contribuições no "Instituto de Deficiências de Moscou", na direção do departamento de Educação (especial) de Narcompros, entre outros institutos, além das publicações sobre o tema, encontram-se reunidos na obra "A Formação Social da Mente", onde aborda os problemas da gênese dos processos psicológicos tipicamente humanos, analisando-os desde a infância à luz do seu contexto histórico-cultural.